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Inadimplência

Dívida das famílias passa de 50% da renda pela 1ª vez, mostra o BC

O Banco Central mostrou que a dívida das famílias chegou a 50,1% da renda de um ano e que o atraso no crédito livre bateu 8,1%. Para quem vende a prazo, o recado é cobrar cedo.

Redação Adimplia
Equipe editorial do blog · 5 min de leitura
Publicado em
Pessoa usando calculadora em uma mesa, ao lado de uma caneca de café
Metade da renda de um ano das famílias já equivale ao que elas devem, segundo o Banco Central. Foto: Towfiqu barbhuiya / Unsplash
Neste texto
  1. O que o Banco Central mostrou?
  2. Endividamento e comprometimento: qual a diferença?
  3. Por que o juro piorou o quadro?
  4. O que isso significa na prática?
  5. Fato e leitura

A dívida das famílias brasileiras passou de metade da renda de um ano. Segundo o Banco Central, o endividamento chegou a 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior nível da série, de acordo com a CNN Brasil. Os números saíram em 29 de outubro, na nota mensal de estatísticas de crédito.

Na mesma divulgação, o BC mostrou que o atraso das famílias no crédito livre, aquele em que o banco define a taxa, subiu para 8,1% em setembro. Um ano antes, era 6,9%.

Para quem vende a prazo, a leitura é direta: o seu cliente chega ao fim do ano com o orçamento mais preso do que nunca.

O que o Banco Central mostrou?

Infográfico em anel: a dívida das famílias equivale a 50,1% da renda de 12 meses, em agosto de 2026
Endividamento das famílias (dívida total dividida pela renda acumulada em 12 meses), em agosto de 2026: o maior nível da série. Arte: Adimplia

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Os principais números da nota do Banco Central são estes:

  • Endividamento das famílias: 50,1% da renda de 12 meses em agosto, alta de 0,2 ponto no mês e de 1,2 ponto em um ano.
  • Comprometimento de renda: 29,0% em agosto. É a parte da renda mensal que vai só para pagar parcelas e juros. Subiu 0,2 ponto no mês e 1,4 ponto em 12 meses.
  • Atraso das famílias no crédito livre: 8,1% em setembro, alta de 0,1 ponto no mês e de 1,2 ponto em um ano.
  • Atraso de todo o crédito às famílias: 6,0%, estável no mês.
  • Atraso das empresas: 3,3%, queda de 0,1 ponto no mês.
  • Atraso no sistema todo: 5,0%, estável no mês e 0,9 ponto acima de um ano antes.

O estoque de crédito somou R$ 7,4 trilhões em setembro, mas cresce mais devagar: 8,6% em 12 meses, ante 9,4% até agosto.

Endividamento e comprometimento: qual a diferença?

São dois termômetros diferentes, e os dois estão no ponto mais alto.

O endividamento compara tudo o que a família deve com tudo o que ela ganha em um ano. Com 50,1%, o conjunto das famílias deve, somado, o equivalente a cerca de seis meses de renda. Esse número inclui o financiamento da casa, que é longo e costuma ter juro menor.

O comprometimento de renda mostra o peso da dívida no mês. Com 29%, de cada R$ 100 que entram, R$ 29 já saem para parcelas e juros antes de pagar mercado, escola, plano de saúde ou aluguel.

É esse segundo número que mais interessa a quem cobra. Quando quase um terço do salário já tem dono, a mensalidade, a consulta e o carnê da loja disputam o que sobra.

Por que o juro piorou o quadro?

Porque o crédito ficou mais caro justamente para quem mais deve. Segundo o BC, a taxa média do crédito livre às famílias subiu para 62,4% ao ano em setembro, alta de 0,6 ponto no mês e de 3,7 pontos em 12 meses. O BC destacou a alta de 6,8 pontos no rotativo do cartão.

Segundo a Agência Estado, o rotativo do cartão chegou a 451,7% ao ano e o cheque especial, a 139,0% ao ano. São taxas anualizadas: a lei limita os juros e encargos do rotativo a 100% da dívida desde 2024, mas o recado é o mesmo. Quem entra no rotativo ou no cheque especial para fechar o mês afunda rápido.

Para as empresas, a taxa média do crédito livre foi a 24,4% ao ano. O BC citou a alta do capital de giro de prazo mais longo e o crescimento das operações de desconto de duplicatas, sinal de que muitas empresas estão antecipando o que têm a receber para pagar as contas.

O que isso significa na prática?

Três consequências aparecem no dia a dia de quem vende a prazo.

  1. O cliente escolhe o que pagar. Com 29% da renda presa em parcelas, ele não deixa de pagar tudo: ele prioriza. A conta lembrada com respeito, com uma proposta possível, tende a ser paga antes.
  2. O atraso envelhece mais rápido. Quem atrasa e resolve cobrir o buraco no rotativo ou no cheque especial piora a própria situação a cada semana. Quanto mais tempo passa, menor a chance de receber.
  3. Antecipar recebíveis custa caro. A empresa que depende de antecipar o que tem a receber para fechar o caixa paga juros sobre um dinheiro que já é dela. Receber em dia sai mais barato do que qualquer antecipação.

Em setembro, mostramos que o atraso das famílias no crédito livre tinha chegado a 8%. Um mês depois, o número subiu de novo. E o fim do ano traz uma janela importante: o 13º salário é a melhor chance do ano de receber o que atrasou.

Fato e leitura

Os números de endividamento, comprometimento de renda, inadimplência, estoque e juros médios são da nota para a imprensa do Banco Central de 29 de outubro de 2026, conferida no texto oficial. A taxa do rotativo e do cheque especial é da Agência Estado, publicada pelo O Povo no mesmo dia, e a menção ao maior nível da série é da CNN Brasil. As consequências práticas e as recomendações são leitura nossa. Para entender os termos, veja o glossário de superendividamento e o guia de inadimplência para pequenas empresas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre endividamento e comprometimento de renda?

Endividamento é o total que as famílias devem dividido pela renda de 12 meses (50,1% em agosto). Comprometimento é quanto da renda do mês vai para pagar parcelas e juros (29% em agosto).

A inadimplência das empresas também subiu?

Não em setembro. Segundo o Banco Central, o atraso nas operações com empresas recuou 0,1 ponto, para 3,3%, enquanto o das famílias ficou em 6% e o das famílias no crédito livre subiu para 8,1%.

Fontes

  1. Banco Central do Brasil. Estatísticas monetárias e de crédito: nota para a imprensa. Banco Central do Brasil, 29/10/2026
  2. Endividamento das famílias registra recorde em agosto, mostra Banco Central. CNN Brasil, 29/10/2026
  3. Juro médio do rotativo do cartão de crédito sobe a 451,7% ao ano em setembro, diz BC. O Povo, com Agência Estado, 29/10/2026
  4. Juro médio no crédito livre sobe a 49,0% em setembro, mostra BC; cheque especial vai a 139%. O Povo, com Agência Estado, 29/10/2026

Guia completo: para entender o tema do começo ao fim, leia Guia completo de inadimplência para pequenas empresas.

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