CNDL e SPC: 75,05 milhões de inadimplentes em setembro, alta de 2,07%
Indicador divulgado em 20 de outubro mostra 44,67% dos adultos com contas em atraso, dívida média de R$ 5.240 e bancos com 66% do que está vencido. O comércio foi o único setor com queda.

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O Brasil tinha 75,05 milhões de consumidores com contas em atraso em setembro de 2026, o equivalente a 44,67% da população adulta, segundo o Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, divulgado nesta terça-feira, 20 de outubro. O número cresceu 2,07% em relação a agosto, e o volume de dívidas em atraso subiu 3,07% no mês e 13,62% em 12 meses.
É o retrato mais recente da inadimplência do consumidor no país, e ele interessa diretamente a quem recebe em mensalidade, carnê ou parcela: a dívida média é de R$ 5.240,29, mas 40,75% dos inadimplentes devem até R$ 1.000, e 28,69% devem até R$ 500.
Os números do indicador

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Conheça a AdimpliaPelo release da CNDL, cada devedor tem em média 2,36 empresas credoras. Os bancos concentram 65,95% das dívidas em atraso (alta de 12,89% em um ano), seguidos por água e luz (10,14%; +12,08%) e comércio (8,12%). O comércio foi o único setor com queda no volume de dívidas, de 1,77%. O setor de comunicação teve a maior alta entre todos, de 17,84%. Outros setores somam 9,82%.
| Recorte (setembro de 2026) | Dado |
|---|---|
| Consumidores com contas em atraso | 75,05 milhões (44,67% dos adultos) |
| Variação sobre agosto | +2,07% |
| Dívidas em atraso | +3,07% no mês; +13,62% em 12 meses |
| Dívida média por pessoa | R$ 5.240,29 |
| Devem até R$ 500 | 28,69% |
| Devem até R$ 1.000 | 40,75% |
| Empresas credoras por devedor | 2,36 |
A faixa etária mais afetada é a de 30 a 39 anos: 18,06 milhões de pessoas, ou 23,35% dos inadimplentes. Nessa faixa, 53,30% da população está negativada. Mulheres são 51,38% dos devedores. E o crescimento anual se concentrou nas dívidas com 4 a 5 anos de atraso, que subiram 34,48%: dívida velha que ninguém cobrou nem pagou.
Regiões: o Sul lidera a alta, o Centro-Oeste tem a maior proporção
Na comparação com setembro de 2025, o número de inadimplentes cresceu 6,97% no país, segundo os recortes regionais do SPC Brasil: 9,75% no Sul, 7,74% no Centro-Oeste, 7,25% no Norte, 5,60% no Sudeste e 4,58% no Nordeste. O Centro-Oeste tem a maior proporção de adultos negativados (48,74%); o Sul, a menor (41,01%).
Os recortes regionais que o SPC Brasil publicou na semana anterior completam o quadro: o Sudeste concentra 31,89 milhões de negativados (44,36% dos adultos da região); o Nordeste, 19,82 milhões (44,77%); o Norte, 6,89 milhões (48,45%). Entre as empresas, o número de negócios inadimplentes cresceu 13,24% em 12 meses no país, e as dívidas empresariais em atraso, 15,35%.
O que dizem a CNDL e o SPC
O presidente da CNDL, José César da Costa, atribuiu o resultado ao juro: "O cenário de juros elevados encarece o crédito", disse, e reduz a capacidade de as famílias se reorganizarem. O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, apontou que o desafio não é só tirar o consumidor do cadastro, mas criar condições para que ele permaneça fora.
Serasa e SPC: por que os números são diferentes
Em setembro, mostramos que o Mapa da Inadimplência da Serasa contava 83,98 milhões de negativados em agosto. O SPC Brasil fala em 75,05 milhões em setembro. Não há erro: cada birô conta as pessoas registradas na própria base, alimentada por credores diferentes. O que importa para a gestão é a direção, e os dois indicadores apontam para cima em 2026.
O que isso significa para quem cobra
O dado que mais importa para a pequena empresa está na distribuição por valor. Quatro em cada dez inadimplentes devem até R$ 1.000. É o tamanho de uma ou duas mensalidades escolares, de um plano de tratamento parcelado, de um carnê de loja. Esse devedor não é um caso perdido: é alguém com uma conta pequena que ficou para trás e, em geral, com outras duas ou três contas na fila.
O segundo dado é o do atraso de 4 a 5 anos, que cresceu 34,48%. Esse é o destino da parcela que não foi cobrada no primeiro mês. Depois de 5 anos, a dívida não pode mais ficar negativada nem ser cobrada na Justiça, e, na nossa experiência, uma dívida com 4 anos raramente é paga. Entre esses dois extremos, a cobrança feita cedo, por mensagem, com proposta de acordo e sem constrangimento, é o que separa a parcela que volta da parcela que vira estatística.
Fato e leitura
Os números são do Indicador de Inadimplência da CNDL e do SPC Brasil, referentes a setembro de 2026 e divulgados em 20 de outubro; os recortes regionais foram publicados pelo SPC Brasil entre 15 e 17 de outubro. A comparação com a Serasa e a leitura sobre a cobrança de dívidas pequenas são interpretação nossa. Para montar a régua de contato que evita o atraso longo, veja o guia completo de inadimplência para pequenas empresas.
Perguntas frequentes
Quantos brasileiros estão negativados em setembro de 2026?
75,05 milhões de pessoas tinham contas em atraso em setembro de 2026, o equivalente a 44,67% da população adulta, segundo o Indicador de Inadimplência da CNDL e do SPC Brasil, divulgado em 20 de outubro.
Por que a Serasa fala em 84 milhões e o SPC em 75 milhões?
São bases diferentes. Cada birô conta as pessoas com dívida registrada na própria base, e a Serasa e o SPC Brasil recebem registros de credores diferentes. A tendência dos dois indicadores, porém, é a mesma: alta em 2026.
Fontes
- Barbosa, Marina. Inadimplência volta a crescer no Brasil e atinge 75,05 milhões de consumidores em setembro, aponta CNDL e SPC Brasil. CNDL, Varejo S.A, 20/10/2026
- Inadimplência atinge 75,05 milhões de consumidores em setembro. Poder360, 20/10/2026
- Nordeste tem quase 20 milhões de consumidores negativados e inadimplência empresarial cresce 11,42%. Portal de Prefeitura, com dados do SPC Brasil, 16/10/2026
- Quase metade dos adultos do Norte está com o nome sujo; dívidas disparam. ac24horas, com dados do SPC Brasil, 17/10/2026
- Sudeste soma 31,89 milhões de consumidores negativados. ABCdoABC, com dados do SPC Brasil, 16/10/2026
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