Serasa: 9,3 milhões de empresas negativadas, e quase 95% são micro e pequenas
Indicador de agosto de 2026, divulgado em 20 de outubro, mostra recorde de CNPJs com dívida em atraso, R$ 244,4 bilhões vencidos e 75,6% desse passivo devido a credores fora do sistema financeiro. Ou seja, a outras empresas.

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O Brasil chegou a 9,3 milhões de empresas com dívidas negativadas em agosto de 2026, novo recorde do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, publicado em 20 de outubro. O número cresceu 14,3% em um ano. Desses CNPJs, 8,8 milhões são micro e pequenas empresas: 94,6% do total.
O dado que mais interessa a quem vende para outras empresas está na origem das dívidas. Segundo a Serasa, 75,6% do passivo em atraso é devido a credores fora do sistema financeiro. Em outras palavras, a maior parte do que as empresas não pagam não é empréstimo de banco. É conta de fornecedor, de prestador de serviço, de aluguel, de luz e de telefone.
Os números de agosto

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Conheça a AdimpliaAs dívidas em atraso somam R$ 244,4 bilhões, distribuídas em 68,2 milhões de operações. Cada empresa negativada tem, em média, 7,4 contas vencidas, um passivo de R$ 26.355,13 e um valor médio de R$ 3.583,96 por conta. Entre as micro e pequenas, a média é de 7 contas, R$ 23.902,98 por CNPJ e R$ 3.435,34 por conta; juntas, elas devem R$ 211 bilhões em 61,4 milhões de operações.
| Recorte (agosto de 2026) | Dado |
|---|---|
| Empresas negativadas | 9,3 milhões (recorde) |
| Variação em 12 meses | +14,3% |
| Micro e pequenas empresas negativadas | 8,8 milhões (94,6% do total) |
| Dívidas em atraso | R$ 244,4 bilhões em 68,2 milhões de operações |
| Contas vencidas por empresa | 7,4 (micro e pequenas: 7) |
| Dívida por CNPJ | R$ 26.355,13 (micro e pequenas: R$ 23.902,98) |
| Valor médio por conta | R$ 3.583,96 (micro e pequenas: R$ 3.435,34) |
Por setor de atividade das empresas devedoras, os serviços lideram com 56%, seguidos pelo comércio (32%), pela indústria (8%), pelo setor primário (0,9%) e por outros (3,1%). A Serasa destaca que a alta anual de 14,3% é menor do que a registrada na leitura anterior (28,7%), o que indica desaceleração. O número absoluto, porém, continua subindo.
Para quem as empresas devem
A divisão das dívidas por credor é o retrato de uma cadeia: 31,7% do passivo está com empresas de serviços, 19,7% com bancos e cartões, 8,5% com cooperativas, 6,7% com serviços básicos (água, luz e gás) e 6,2% com telefonia. Somados, os credores não financeiros respondem por 75,6% de tudo o que as empresas devem.
Esse recorte muda a conversa. Quando uma empresa atrasa, quem deixa de receber é, na maior parte das vezes, outra empresa: o contador, a agência, a transportadora, a escola corporativa, o fornecedor de insumos. E essa outra empresa, sem o dinheiro, atrasa a conta seguinte. É assim que 9,3 milhões de CNPJs viram 68,2 milhões de contas vencidas.
Onde estão os CNPJs negativados
São Paulo concentra 3,2 milhões de empresas negativadas, seguido por Minas Gerais (927,4 mil), Rio de Janeiro (879,9 mil), Paraná (613 mil) e Rio Grande do Sul (539,3 mil). A distribuição acompanha o tamanho das economias estaduais, não necessariamente a proporção de empresas em atraso em cada estado.
Crédito caro, caixa apertado
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, resumiu o cenário em uma frase: "O crédito continua caro, o caixa permanece pressionado". Segundo ela, o ambiente segue restritivo sobretudo para os negócios de menor porte, e as empresas que procuram financiamento o fazem para manter o fluxo de caixa e a operação, não para reduzir dívidas ou expandir.
Os números da própria Serasa confirmam: a busca das empresas por crédito cresceu 11,2% nos últimos 12 meses, e a procura por capital de giro, 113,9%. Com a Selic em 13,75% ao ano, como mostramos na análise da decisão do Copom de setembro, esse capital de giro é caro, e a empresa que o toma para cobrir o atraso do cliente está pagando juros pela inadimplência dos outros.
Consumidor e empresa, o mesmo movimento
O recorde das empresas chega uma semana depois do indicador da CNDL e do SPC Brasil, que contou 75,05 milhões de consumidores negativados em setembro, e um mês depois do Mapa da Inadimplência da Serasa, com 83,98 milhões de pessoas em agosto. Pessoa física e pessoa jurídica estão no mesmo ciclo: juro alto, renda comprometida e contas pequenas que se acumulam.
Fato e leitura
Os números são do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, referentes a agosto de 2026 e publicados em 20 de outubro de 2026, conforme a sala de imprensa da Serasa e a cobertura do Jetss Brasil de 21 de outubro. A leitura sobre a cadeia de crédito entre empresas e as recomendações de cobrança são interpretação nossa. Para montar a régua que evita o atraso longo, veja o guia completo de inadimplência para pequenas empresas.
Perguntas frequentes
Quantas empresas estão inadimplentes no Brasil em 2026?
Em agosto de 2026, 9,3 milhões de CNPJs tinham dívidas negativadas, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, divulgado em 20 de outubro. É o maior número da série, com alta de 14,3% em um ano.
Qual é a dívida média de uma micro ou pequena empresa negativada?
R$ 23.902,98 por CNPJ, distribuídos em média por 7 contas em atraso, com valor médio de R$ 3.435,34 por conta. As 8,8 milhões de micro e pequenas empresas negativadas somam R$ 211 bilhões em 61,4 milhões de operações vencidas.
Fontes
- Novo recorde: Inadimplência das empresas chegou a 9,3 milhões em agosto, revela Serasa Experian. Serasa Experian, sala de imprensa (seção Indicadores), 20/10/2026
- Número de empresas inadimplentes alcança 9,3 milhões, informa Serasa Experian. Jetss Brasil, com dados da Serasa Experian, 21/10/2026
Guia completo: para entender o tema do começo ao fim, leia Guia completo de inadimplência para pequenas empresas.