Escolas projetam reajuste de 7% a 11% em 2027 e citam a inadimplência
Pesquisa da consultoria Meira Fernandes com cerca de 1,5 mil escolas de oito estados: 80,66% querem reajustar acima da inflação, e a fatia de escolas com 2% a 5% da carteira em atraso subiu de 46,59% para 51,93% no primeiro semestre.

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As escolas particulares já definem o reajuste de 2027, e o número é alto: 80,66% das instituições ouvidas pela consultoria Meira Fernandes pretendem corrigir as mensalidades entre 7% e 11%. A pesquisa, feita entre 11 de junho e 3 de agosto de 2026 com cerca de 1,5 mil escolas de oito estados, foi divulgada em 9 e 10 de agosto pelos jornais A Crítica, A Tarde e PEBSP e repercutida pela Itatiaia em 20 de agosto.
Entre os motivos citados pelas escolas está a inadimplência, que avançou no primeiro semestre: 51,93% das instituições registraram atraso de 2% a 5% da carteira de mensalidades, contra 46,59% no mesmo período de 2025.
O que a pesquisa mostra

Mensalidade em atraso na sua escola? Nós cobramos com respeito à família.
Conheça a AdimpliaA amostra reúne escolas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Roraima, que somam quase 120 mil alunos. Os veículos informam que são instituições assessoradas pela própria consultoria, o que limita a leitura para o país inteiro, mas o tamanho da amostra torna o dado relevante.
Sobre o reajuste de 2027:
- 44,20% das escolas projetam entre 9% e 11%;
- 36,46% projetam entre 7% e 9%;
- 7,18% projetam mais de 12%.
Para comparar: na época da divulgação, a inflação projetada pelo mercado para 2026 era de 5,03%, pelo Boletim Focus do Banco Central, segundo o PEBSP. Ou seja, a maior parte das escolas planeja um reajuste bem acima da inflação, e a consultoria descreveu o percentual como o maior pretendido dos últimos anos.
Sobre a inadimplência:
- 51,93% das escolas tiveram de 2% a 5% da carteira em atraso no primeiro semestre de 2026 (46,59% em 2025);
- 21,67% projetam inadimplência acima de 6% entre 2026 e 2027, sendo 16,67% na faixa de 5% a 9% e 5% acima de 9% ou 10%;
- 11,6% das escolas apontam a inadimplência como o fator de maior impacto no caixa.
Os números de reajuste são intenções declaradas, não decisões tomadas. Os de inadimplência são resultados do semestre, informados pelas próprias escolas.
Por que as escolas dizem que precisam reajustar
Mabely Meira Fernandes, diretora jurídica da consultoria, atribuiu o índice a "vários fatores combinados". A folha de pagamento teve aumento médio de 6,95% em junho. A inclusão escolar foi o item que mais consumiu recursos, citado por 35,9% das instituições, seguida pela contratação de profissionais especializados (16,6%). Quase 30% das escolas apontaram a rotatividade de funcionários como peso no caixa. Tecnologia, segurança ligada à adequação ao ECA Digital e obrigações legais completam a lista, junto com a inadimplência e as receitas que não entram no prazo esperado.
O contexto: inadimplência escolar perto de 20%
Outro levantamento ajuda a dimensionar o problema. O Mapa da Inadimplência Escolar 2026, da Sponte by TOTVS, divulgado em junho com dados de mais de 4 mil instituições, calculou uma taxa média de 19,62% no setor em 2025, abaixo dos 20,36% de 2024 e do pico de 22,63% em 2023. Por região, o Nordeste teve a maior taxa (23,38%), seguido pelo Norte (22,90%), Centro-Oeste (20,90%), Sudeste (18,46%) e Sul (18,42%). O Ceará lidera entre os estados, com 32,16%.
As duas pesquisas medem coisas diferentes: a Meira Fernandes distribui as escolas por faixa de atraso da carteira; a Sponte calcula uma taxa média com critérios próprios. Não dá para somar nem comparar diretamente. O que as duas mostram em conjunto é que a inadimplência escolar continua alta e, para metade das escolas, aumentou no primeiro semestre de 2026.
Reajustar mais e cobrar melhor
Há um risco no raciocínio de compensar a inadimplência com reajuste: mensalidade mais cara em família com orçamento apertado tende a gerar mais atraso, não menos. O reajuste cobre custo; a inadimplência se resolve com cobrança organizada.
O que separa uma escola com 2% de atraso de outra com 6% raramente é o perfil das famílias. É o que acontece nos primeiros 30 dias depois do vencimento. Numa operação real de cobrança de uma empresa de educação, 63% dos devedores de R$ 200 a R$ 500 com até 30 dias de atraso pagaram depois do contato, e mensagens em tom humano tiveram 75% mais respostas do que as frias. Lembrete antes do vencimento, mensagem pessoal na primeira semana, proposta de acordo no primeiro mês: essa rotina custa pouco e evita que a parcela chegue ao fim do semestre, quando a única saída da escola, pela Lei 9.870, é não renovar a matrícula.
Fato, intenção e opinião
Fato: os percentuais de inadimplência do primeiro semestre de 2026 e os custos citados vêm da pesquisa Meira Fernandes, divulgada em agosto, e os dados de 2025 vêm da Sponte by TOTVS, divulgados em junho. Intenção: os reajustes de 7% a 11% são projeções das escolas para 2027, que podem mudar até a rematrícula. Opinião nossa: a leitura de que a cobrança nos primeiros 30 dias pesa mais no caixa do que o tamanho do reajuste. Não conseguimos abrir a íntegra da pesquisa no site da consultoria; os números foram conferidos em quatro veículos que a publicaram.
Perguntas frequentes
Quanto a mensalidade escolar deve subir em 2027?
Segundo pesquisa da consultoria Meira Fernandes com cerca de 1,5 mil escolas de oito estados, 80,66% das instituições projetam reajuste entre 7% e 11% para 2027. A faixa mais citada foi de 9% a 11% (44,20%). É intenção declarada, não reajuste definido.
Qual é a inadimplência das escolas particulares?
Depende da medida. Na pesquisa Meira Fernandes, 51,93% das escolas tiveram inadimplência entre 2% e 5% da carteira no 1º semestre de 2026. No Mapa da Inadimplência Escolar 2026, da Sponte by TOTVS, a taxa média do setor em 2025 foi de 19,62%, com critérios próprios de apuração.
Fontes
- Tanaka, Breno Kaoru. Mensalidades escolares podem subir até 11% em 2027, aponta pesquisa. A Crítica, 09/08/2026
- Queiroz, Iarla. Mensalidades de escolas particulares podem subir até 11% em 2027. A Tarde, 09/08/2026
- Escolas particulares preveem reajuste de até 11% nas mensalidades em 2027. PEBSP, 10/08/2026
- Frade, Fabiano. Mensalidades escolares podem subir até 11% em 2027; veja como se preparar. Itatiaia, 20/08/2026
- Após pico histórico, inadimplência escolar cai para 19% no Brasil, mostra pesquisa (Mapa da Inadimplência Escolar 2026, Sponte by TOTVS). Times Brasil, 19/06/2026
- Inadimplência em escolas cai para 19,6%, mas segue em patamar de alerta, revela pesquisa da Sponte by TOTVS. Revista Direcional Escolas, 12/08/2026
Guia completo: para entender o tema do começo ao fim, leia Inadimplência em escolas e cursos: guia completo.