Pular para o conteúdo

Crédito e Juros

Lula reeleito, bolsa em queda e juro em alta: o que muda no seu caixa

No dia seguinte à reeleição, o Ibovespa acionou o circuit breaker, o dólar subiu perto de 10% e os juros futuros saltaram mais de 2 pontos. Para a pequena empresa, o recado é crédito mais caro por mais tempo. E há promessas de renegociação de dívidas que podem mexer com os seus clientes.

Redação Adimplia
Equipe editorial do blog · 5 min de leitura
Publicado em
Tela de cotações do mercado financeiro com gráfico em queda
A bolsa acionou o circuit breaker na abertura desta segunda-feira, 26 de outubro. Foto: Anne Nygård / Unsplash
Neste texto
  1. O que aconteceu no mercado nesta segunda
  2. Por que juro futuro importa para quem não investe na bolsa
  3. As promessas sobre dívidas e o que já vale
  4. O efeito que pode chegar à sua carteira
  5. Fato e leitura

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente no segundo turno de domingo, 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a apuração acompanhada pelo InfoMoney. É o quarto mandato de Lula, que vai até dezembro de 2030, com Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio tinha ficado à frente, com 47,03% contra 45,16%.

O mercado financeiro, que apostava no resultado contrário, reagiu com força nesta segunda-feira. E é essa reação, mais do que o discurso de qualquer lado, que chega ao caixa da pequena empresa: no preço do crédito, no câmbio e no bolso dos clientes.

O que aconteceu no mercado nesta segunda

Segundo a cobertura da CNN Brasil, com dados da B3, o circuit breaker (a pausa automática das negociações quando a queda é muito forte) foi acionado logo na abertura, pela primeira vez desde 2020. Na mínima do dia, o Ibovespa caiu 17,34%, aos 169.516 pontos. Por volta das 13h25, a queda era de 15,54%. Se o ritmo se mantiver até o fechamento, será a maior queda em um dia desde setembro de 1998. O dólar abriu em alta de 12,52%, a R$ 5,60, e no início da tarde subia cerca de 9%, perto de R$ 5,43.

Infográfico em barras: juro futuro de janeiro de 2028 subiu de 12,86% para 14,92% e o de janeiro de 2035, de 12,75% para 15,38%, em 26 de outubro de 2026
Taxas dos contratos de juro futuro (DI) antes do resultado e durante o pregão de 26 de outubro. Arte: Adimplia

Crédito mais caro pede caixa em dia. Recupere o que está atrasado com a Adimplia.

Conheça a Adimplia

O número que mais interessa a quem precisa de crédito é o dos juros futuros. O contrato com vencimento em janeiro de 2028 saiu de 12,86% para 14,92%, uma alta de 2,06 pontos; o de janeiro de 2035, de 12,75% para 15,38%. Para Gabriel Magno, da AW Capital, ouvido pela CNN, o mercado vinha se preparando para uma troca de governo, com expectativa de mais controle de gastos, e reduziu essas apostas com o resultado.

Os números acima são do meio do pregão. O fechamento pode ser diferente, e um dia de pânico não define a tendência do ano. Mas mostra para onde o mercado empurrou o preço do dinheiro.

Por que juro futuro importa para quem não investe na bolsa

A Selic, hoje em 13,75% ao ano, não muda com a eleição: quem decide é o Copom, do Banco Central, como explicamos na análise da decisão de setembro. Já os juros futuros refletem o que o mercado espera para a Selic e para o risco do país nos próximos anos, e os bancos usam essas taxas como referência para emprestar a prazo.

Na prática, se a alta desta segunda se sustentar, o capital de giro, o financiamento de equipamento e a antecipação de recebíveis tendem a ficar mais caros, ou a demorar mais para baratear. O dólar mais alto também pesa em insumos importados e em contratos atrelados ao câmbio. Para a pequena empresa, isso significa uma coisa: cada real que o cliente deixa de pagar em dia fica mais caro de substituir com empréstimo.

As promessas sobre dívidas e o que já vale

Na campanha, a renegociação de dívidas foi um dos temas centrais. É importante separar o que está em vigor do que é promessa:

MedidaSituação, segundo as fontes
Desenrola atual (lançado em maio)Em vigor: renda de até cinco salários mínimos, dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal, descontos de 30% a 90%, juros de até 1,99% ao mês e até 48 parcelas (InfoMoney, 19/10)
Nova etapa do DesenrolaProposta: compra de dívidas bancárias antigas por leilão, com descontos de 90% ou mais; depende de regras, de leilões e do Congresso (InfoMoney, 19/10; Agenda do Poder, 26/10)
Perdão de dívidas de MEI com a UniãoLei sancionada, com vigência prevista para janeiro de 2027; contribuições atrasadas, juros e multas; mais de 3,6 milhões de pessoas, segundo o governo; dívidas bancárias ficam de fora (Agenda do Poder, 26/10)
Repasse de até R$ 5 mil para MEIProposta: depende de regras de acesso e de aprovação no Congresso (Agenda do Poder, 26/10)

Nenhuma dessas medidas alcança a conta que o seu cliente tem com a sua escola, clínica, loja ou condomínio. Elas tratam de dívidas com bancos e com a União.

O efeito que pode chegar à sua carteira

Mesmo sem alcançar a sua conta, a renegociação de dívidas bancárias mexe com o comportamento do seu cliente. Quando o cliente consegue um bom acordo com o banco, sobra orçamento, e a mensalidade atrasada pode voltar a caber. Mas há o efeito contrário: o cliente que espera um desconto de 90% no banco pode adiar todos os pagamentos à espera de uma oferta parecida.

Por isso, não espere. Quem compete pelo orçamento do cliente é o credor que aparece com uma proposta clara, agora. Como mostramos no texto sobre o 13º salário, novembro e dezembro concentram a maior entrada de renda do ano. Com o crédito potencialmente mais caro, essa janela vale ainda mais.

Fato e leitura

O resultado da eleição é o da apuração do segundo turno noticiada pelo InfoMoney em 25 de outubro de 2026. As cotações são da cobertura da CNN Brasil de 26 de outubro, com dados da B3, e refletem o meio do pregão. As medidas sobre dívidas seguem o que informaram o InfoMoney (19 e 25 de outubro) e a Agenda do Poder (26 de outubro); propostas ainda não aprovadas podem mudar. Este texto não avalia candidatos nem governos: a leitura sobre crédito, caixa e cobrança é nossa. Para a régua completa de cobrança, veja o guia de inadimplência para pequenas empresas.

Perguntas frequentes

A reeleição de Lula aumenta os juros para empresas?

A Selic não muda com a eleição: quem decide é o Copom, do Banco Central. Mas os juros futuros, que o mercado usa para precificar empréstimos de prazo mais longo, subiram mais de 2 pontos no dia seguinte ao resultado. Se a alta se mantiver, o crédito de capital de giro tende a ficar mais caro.

O novo Desenrola já está valendo?

Não. A nova etapa, com compra de dívidas bancárias antigas por leilão e descontos de 90% ou mais, foi proposta na campanha e ainda depende de regras e de tramitação no Congresso. O Desenrola em vigor, lançado em maio, renegocia dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal de quem ganha até cinco salários mínimos.

Fontes

  1. Eleições 2026: Lula é eleito presidente do Brasil (cobertura ao vivo do segundo turno). InfoMoney, 25/10/2026
  2. Miniguini, Manuela. Ibovespa despenca 16% em negociações e dólar salta após vitória de Lula. CNN Brasil, 26/10/2026
  3. Verenicz, Marina. Lula ou Flávio: quais são as propostas para tirar os brasileiros das dívidas?. InfoMoney, 19/10/2026
  4. Verenicz, Marina. Lula reeleito: quais promessas da campanha ficam para o quarto mandato?. InfoMoney, 25/10/2026
  5. Kaye, Gustavo. As promessas de Lula: dinheiro para MEIs, perdão de dívidas e passe livre; veja o que falta aprovar. Agenda do Poder, 26/10/2026

Guia completo: para entender o tema do começo ao fim, leia Guia completo de inadimplência para pequenas empresas.

Compartilhar: WhatsApp LinkedIn X E-mail

Juros altos, mais atraso. E agora?

Simular